#ARTIGO - 13 fatos que você precisa saber sobre steve biko

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#ARTIGO - 13 fatos que você precisa saber sobre steve biko

#ARTIGO - 13 fatos que você precisa saber sobre steve biko


“’Biko vive!’, mesmo após a tentativa de calar sua voz e negar os seus ensinamentos, publicação de livros, filmes e instituições que levam seu nome no Brasil e em seu país natal são apenas alguns exemplos. O legado de Biko deve sempre ser lembrado como uma grande referência mundial na luta antirracista. Suas ações e as construções obtidas a partir dos seus ensinamentos servem como inspiração para quem almeja o fim das desigualdades etnicorraciais e ascensão social da população negra.” (Denegrir: Educação e Relações Raciais, Editora Telha, 2021)

 

HISTÓRIA:

1.                  1946 - Nasce Stephen Bantu Biko em 18 de dezembro de 1946: Biko nasce em Tylden, na então Província do Cabo, África do Sul, a região hoje pertencente ao Eastern Cape. A história da mãe de Biko merece atenção especial. Mamcethe foi uma mulher negra trabalhadora que sustentou a família depois da morte prematura do marido, criando os filhos em um contexto de pobreza e apartheid. Isso ajuda a compreender a formação de Biko não veio apenas da universidade e da militância: sua experiência familiar, a condição social da população negra e a trajetória de sua mãe também fizeram parte do ambiente que moldou sua consciência política.

2.                  1963 - Primeiro contato marcante com a repressão política:
Ainda adolescente, Biko é impactado pela prisão de seu irmão, Khaya Biko, acusado de envolvimento com o movimento Pan-Africanista. O episódio contribui para sua crescente consciência política e oposição à autoridade branca do apartheid.

3.                  1966 - Ingressa na Universidade de Natal:
Biko começa a estudar Medicina na University of Natal. Inicialmente participa da NUSAS (National Union of South African Students), organização que reunia estudantes de diferentes grupos raciais. Esta organização tinha muitas limitações, apesar de sua atuação antirracista, a NUSAS era fortemente marcada pela liderança e predominância branca, o que gerou crescente insatisfação entre estudantes negros.

4.                  1968/1969: Surge a SASO e Biko assume a liderança:
Biko e outros estudantes negros rompem com a predominância liberal branca da NUSAS e participam da criação da South African Students' Organisation (SASO). Biko torna-se seu primeiro presidente. Esse movimento é fundamental para o desenvolvimento da Black Consciousness (Consciência Negra).

5.                  1970-1972: A Consciência Negra transforma-se em movimento social. Biko passa a defender a autonomia política, psicológica e cultural da população negra, estimulando autoestima, organização comunitária e enfrentamento do apartheid. Em 1972, participa da criação de estruturas comunitárias e é expulso da universidade por causa de sua atuação política. 1972: Criação dos Black Community Programmes
Biko ajuda a estruturar os Black Community Programmes (BCP), voltados para o desenvolvimento e a autonomia das comunidades negras. A proposta vai além do protesto político: buscava construir alternativas concretas para a população negra.

6.                  1973: É proibido de atuar politicamente pelo apartheid
Em fevereiro/março de 1973, Biko é colocado sob uma ordem de banimento (banning order) e restringido a King William's Town. Mesmo proibido de participar de determinadas atividades políticas, continua articulando iniciativas da Consciência Negra.

7.                  1976: A Consciência Negra influencia a Revolta de Soweto
Em 16 de junho de 1976, estudantes de Soweto se levantam contra o sistema educacional do apartheid. As ideias da Black Consciousness, difundidas especialmente entre jovens, estudantes e organizações como SASO e SASM, fazem parte do contexto político e intelectual que alimentou a mobilização.

8.                  18 de agosto de 1977: Biko é preso, detido em uma barreira policial nos arredores de Grahamstown (atual Makhanda). É levado para instalações da polícia de segurança em Port Elizabeth, onde onde é interrogado e torturado, resultando em graves ferimentos.

9.                  12 de setembro de 1977: Morre sob custódia policial e torna-se símbolo mundial. Biko morre aos 30 anos, em Pretória, depois de sofrer graves lesões na cabeça enquanto estava sob custódia da polícia do apartheid. Sua morte provoca indignação internacional e transforma Biko em um dos maiores símbolos da luta contra o apartheid e pela dignidade do povo negro no continente africano e nas diásporas negras. Os policiais envolvidos na morte de Steve Biko admitiram perante a Comissão de Verdade e Reconciliação sua participação nas agressões sofridas pelo ativista, mas não houve uma confissão simples e inequívoca de assassinato.

LEGADO:  

10.              Time de Futebol (1978): Na Gâmbia, o Steve Biko Football Club, conhecido como Bakau Giants Killers, foi fundado em 1978, em Bakau, região de Serrekunda, um ano após o assassinato de Steve Biko. Com as cores oficiais amarela e branca, o clube mantém, há mais de quatro décadas, homenagens ao ativista sul-africano, adotado como seu patrono e referência. O time pode ser acompanhado pelo Instagram @steve_biko_fc.

11.              Cinema (1987): Outro importante registro de sua trajetória está no cinema. O filme Um Grito de Liberdade (Cry Freedom, 1987), dirigido por Richard Attenborough e baseado nos livros do jornalista Donald Woods, retrata a amizade entre Woods e Steve Biko. A obra mostra como o contato com Biko levou o jornalista, inicialmente liberal, a conhecer mais profundamente os horrores do apartheid. Após a morte de Biko sob custódia policial, Woods decide revelar ao mundo as circunstâncias do assassinato e a importância da luta do ativista, enfrentando uma perigosa jornada para deixar a África do Sul e divulgar sua história.

12.              Instituto Steve Biko (1992): No Brasil, a influência de Biko também ganhou uma dimensão institucional. Fundado em Salvador-Bahia, tem com a missão “promover a ascensão social da população negra através da educação e do resgate dos valores ancestrais”. Surgido da mobilização de jovens negros e negras incomodados com a invisibilidade da população negra nas universidades, o Instituto criou o primeiro curso preparatório para negros do país, tornando-se referência na democratização do acesso ao ensino superior e na formação de lideranças negras.

13.              Steve Biko Foundation (1998):  Na própria África do Sul, esse legado é preservado pela organização dedicada ao desenvolvimento comunitário e inspirada nas ideias de Biko. A Fundação atua por meio do diálogo sobre políticas públicas, da produção e difusão de conhecimento e do desenvolvimento de lideranças. Sua missão está relacionada à criação de espaços de reflexão crítica sobre questões socioeconômicas e políticas fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a recuperação da “verdadeira humanidade” do povo sul-africano. A organização foi fundada em 1998 e presidida por Nkosinathi Biko, filho de Steve Biko.

 

Referências: 

1.      BIKO, Steve. Escrevo o que eu quero. São Paulo: Veneta, 2024. Tradução de Grupo Solidário São Domingos e Marina Della Valle. ISBN 9788595712751

2.      INSTITUTO CULTURAL STEVE BIKO. Instituto Cultural Steve Biko. Salvador:. Disponível em: www.stevebiko.org.br. Acesso em: 30 ago. 2026.

3.      OLIVEIRA, George Roque Braga. Denegrir: educação e relações raciais. Salvador: Editora Telha, 2021.

4.      STEVE BIKO FOUNDATION. Steve Biko Foundation. South Africa: Steve Biko Foundation. Disponível em: Steve Biko Foundation. Acesso em: 30 ago. 2026.
SOUTH AFRICAN HISTORY ONLINE. The formation of SASO and the Black People’s Convention. South African History Online, 10 jun. 2011. Atualizado em 21 jul. 2026. Disponível em: The formation of SASO and the Black People’s Convention. Acesso em: 31 ago. 2026.

 

Este artigo integra a série "Memórias da Biko: 33 fatos sobre a Biko", escrita por George Oliveira. 

George Oliveira 
Ativista do Movimento Negro, economista, mestre em Gestão Social e doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atuou por mais de duas décadas no Instituto Steve Biko, onde exerceu a função de coordenador financeiro e gestor administrativo. É pesquisador das relações raciais, educação e equidade racial, além de escritor e palestrante antirracista.

 



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