Atividade em escola pública marca o início da programação de 30 anos da Biko

O evento realizado no Dia Internacional Contra Intolerância Racial teve como público os estudantes do ensino médio da rede estadual de ensino, discutindo as formas de ingresso da população negra nas universidades públicas.

Em um auditório cheio de olhares atentos e curiosos. Assim, são recebidos os convidados da Biko para compor a mesa “Por que o Brasil precisa de cotas raciais?”, primeira atividade na programação de comemoração de 30 anos do Instituto Cultural Steve Biko. O encontro proporcionou trocas entre Sheila Regina, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana, Igor Miranda, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e as turmas do último ano do ensino médio do Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, no bairro de Cajazeiras.


Mediada por Silvio Humberto, Vereador de Salvador e professor na UEFS, a mesa debate a importância dos estudantes, principalmente, do ensino público, buscarem se apropriar dos direitos garantidos pelas políticas públicas, como o acesso as cotas raciais. Durante a atividade, Silvio, que é Presidente de Honra da Biko, ainda provoca os estudantes a despertarem a rebeldia através da educação. “A gente acredita no poder transformador da educação, mas para que isso aconteça, as pessoas também precisam ter oportunidades. Então, encarem essa conversa de cidadania e consciência negra como um verbo que muda vidas, que é estudar. Estudar pra gente é um ato político, é ser rebelde!”, destaca o Vereador.


Durante a mesa, Sheila Regina traz dados que denunciam os índices de ingresso das universidades de negros e negras, que são maioria nas escolas públicas. “Por que nós precisamos de cotas raciais? Por que a universidade não tem vaga para todos. E quem tem a chance de entrar em uma universidade pública? Quem teve acesso a um processo de escolarização em redes privadas”, enfatiza a professora.

Segundo a última pesquisa do Censo da Educação Superior, em 2019, nos cursos de graduação com maior concorrência e prestígio, como Medicina, as Engenharias e o Direito, apenas 7,1% das pessoas são pretas e 31.1% são pardas. Na visão do professor Igor Miranda, um fator a ser levado em consideração quando o assunto é a deficiência no acesso de pessoas negras em espaços acadêmicos, também esta ligado a construção da consciência da pessoa negra e as oportunidades que ela encontra. Igor afirma que muitas pessoas desistem antes mesmo de tentar, por não possuir motivação, destacando a necessidade em incentivar a cidadania negra. “Como ingressar em uma faculdade? Parece óbvio para quem já esta nesse meio há um tempo, mas quem esta por fora não é. E, principalmente, qual a medida do esforço que deve ser feito para ingressar em uma faculdade? A pessoa que vem de uma comunidade, que não tem parentes que ingressaram em uma faculdade, vê esse esforço como algo colossal, que seria praticamente impossível de atingir”, pontua Igor.


“Busque a educação, por que a educação te faz progredir, nunca regredir. Progredir como pessoa, profissional, cidadão que tem direito e deveres em uma sociedade que nos oprime”, focaliza Igor ao ser questionado sobre o futuro da educação para população negra.


A mesa “Por que o Brasil precisa de cotas raciais?” é a primeira atividade do calendário comemorativo do Instituto Cultural Steve Biko, que se estende de março a dezembro, perpetuando as três décadas em que a Biko vem promovendo ciência, educação e cultura.


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