Gleisson Santos - Da Biko pro mundo, de aluno a professor!


Ele é aluno do curso de Letras (Inglês – UFBA), Membro do grupo de pesquisa Traduzindo no Atlântico Negro, Professor de Língua Inglesa - PROFICI - Programa de Proficiência em Língua Estrangeira para Estudantes e Servidores da UFBA e Professor de Língua Inglesa - ASSUFBA SINDICATO. Tudo isso e mais um pouco, é Gleisson Santos, daqueles ex-bikudos bons filhos que a casa tornam...sabe?


Gleisson voltou para dar à comunidade que o criou o cidadão negro consciente que ele hoje é e carrega onde estiver. De aluno a professor, hoje ele recepciona grupos estrangeiros, apresenta-lhes a instituição e já representou a Biko internacionalmente. Confira um pouco mais dessa trajetória bikuda nesta entrevista:

ICSB - Como a Biko chegou em sua vida?

Gleisson Santos - Muitos desejos de continuar estudando, após término do ensino médio, porém poucas possibilidades. Era tudo que tinha na cabeça naquele momento. Após tentar o vestibular por dois anos, ter feito um cursinho pré-vestibular comunitário por cerca de 4 meses, chego à Biko, por indicações de amigxs. Estava vivendo um ano de renascimento. A Biko foi um presente neste momento.


Lembrava e ainda lembro muito do que o Vereador e diretor de honra do Instituto Sílvio Humberto sempre falava nas aulas e atividades, que precisávamos nos imaginar dentro da universidade e acreditar nessa possibilidade.

ICBSB- Nos conte como você foi avançando na Biko, desde estudante.

Gleisson Santos - Estar na Biko, cursando o pré-vestibular era uma alegria e uma realização enorme para mim. O ano intenso, somado à rotina de trabalho e às tarefas religiosas, foi extremamente desafiador, mas mais uma lembrança de que as coisas nunca chegaram fáceis e não mudariam de uma hora para a outra. Tive o apoio de amigxs-irmxs que caminham comigo até hoje. Em uma das aulas de CCN (Cidadania e Consciência Negra), a professora e tradutora Raquel Luciana de Souza me impressionou com a elegância e a delicadeza com a qual ela fazia a tradução. Com o tempo e a experiência, fui adquirindo com a língua inglesa pude somar muitos outros adjetivos e ainda assim faltam palavras para descrever o precioso trabalho que ela faz. Passei a acompanhar sempre que possível o trabalho dela e comecei a despertar um interesse pela tradução. Ao finalizar o ano do pré-vestibular, com a prova do ENEM e da UNEB feitas, era momento de continuar sonhando e acreditando. Inicio o curso de Letras Vernáculas com Língua Estrangeira (Inglês) na UFBA, atuo como membro do grupo de pesquisa Corpus Dissidentes, coordenado pela professora Lívia Natália, semestres depois com a preparação de uma amiga, a professora e mestranda Maiana Lima, começo a atuar como professor de língua inglesa, bem como a experiência com o Programa de Educação Tutorial do curso de Letras. E assim, percebo o quanto as atividades que vou tendo acesso estão de alguma forma em sintonia com a Biko ou com o trabalho da Biko. E, envolvido em uma Rede Preta muito poderosa, vamos construindo caminhos e possibilidades para nós e para xs nossxs, fazendo a manutenção dos caminhos que a muito custo foram abertos pelxs nossxs ancestrais e cuidando para que outras e outros possam acessar também.

Hoje sou pesquisador e aspirante a tradutor, junto com muitxsoutrxspesquisadorxs e tradutorxs incríveis, no grupo de pesquisa e Coletivo, conduzido majoritariamente por mulheres pretas, Traduzindo no Atlântico Negro, atuo também com o ensino de língua inglesa no PROFICI e na ASSUFBA, extensões da UFBA e colaboro, sempre que possível com os grupos estrangeiros que vêm visitar a Biko.

ICBSB - Hoje, você é mais que ex-aluno, você recepciona grupos estrangeiros, apresenta-lhes a Biko, como é isso pra você?

Gleisson Santos - É incrível ver como o que parecia ser uma simples atividade que acompanhava esporadicamente se tornou parte das minhas atividades hoje em dia. E a cada grupo que chega é uma experiência diferente, são novas possibilidades de trocas bastante enriquecedoras. Estar junto com Victória e Rubens, bem como outrxs colegas nessas atividades é muito importante e de uma responsabilidade muito grande para a gente. Pois, é a partir de muitos desses pequenos contatos que muitas pessoas conhecem a Biko, pensam em parcerias, em atividades para desenvolver em conjunto. E ao mesmo tempo é muito importante porque é muito mais do que passar pelo Instituto, é estar sempre ligado de alguma forma. É ir e voltar. É estar num círculo no qual ir e voltar são coisas que acontecem mutuamente.

ICBSB - Quantas viagens você já fez com a Biko e como elas engrandeceram sua vivencia?

Gleisson Santos - Tive a primeira oportunidade de sair do Brasil no ano passado. Fui como visitante para a Winston-Salem StateUniversity, na Carolina do Norte (EUA) sob a orientação de Dr. Michele Lewis, professora na Universidade. Essa experiência foi muito preciosa para mim. Na segunda oportunidade, fui com a Biko, neste ano, visitar a Pitzer College e lá compartilhamos muitas experiências. E conversamos bastante sobre o programa de intercâmbio. Tudo isso são bagagens incríveis que vão somando muito em nossa trajetória.

ICBSB - O que mais te marcou na Biko até hoje?

Gleisson Santos - A força com que as pessoas fazem a Biko acontecer é incrível. São muitos anos de muita luta, muitos trabalhos e as pessoas sempre com a sabedoria e fé tocando o trabalho, sempre em frente e buscando construir um mundo de jovens negrxs vivxs, um mundo melhor e mais saudável para a população negra. Pensar nisso nos faz acreditar que sobreviveremos a tudo isso e continuaremos re-existindo.

ICBSB - O que dizer aos que hoje estão na sala 2 e aos que já passaram por lá: como de fato retribuir o que a Biko lhes dá, dará ou deu?

Gleisson Santos - Precisamos lembrar sempre do lema que a Biko nos ensina que “sozinhx somos fortes, juntxs somos inquebrantáveis”. E com isso lembrar que o trabalho precisa continuar. Se tem caminho aberto é porque alguém veio antes e abriu, mas mato quando não cortado cresce e fecha os caminhos, então é preciso sempre, onde estivermos, termos essa consciência de que não fomos, não somos e nunca seremos sós.


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