Oguntec chega ao fim com jovens empreendedores!

Há sete meses, a vida de 30 estudantes do curso técnico de Administração no Colégio Estadual Edgard Santos (CEES), no Garcia, passou por transformações científicas, políticas e sociais através do programa OGUNTEC, da Steve Biko. Neste sábado (2), as cinco turmas apresentaram os trabalhos finais do programa, que recebeu patrocínio da Dow Química e teve como meta a criação de soluções tecnológicas inovadoras para problemas sociais da Escola e do bairro. São eles: Acessibilidade, Água, Energia, Memória, Resíduos Sólidos.


O Diretor de projetos especiais da Steve Biko, Lázaro Cunha, avaliou: “o OGUNTEC é o resultado da convergência de esforços da comunidade, da UFBA, da Universidade Federal do Espírito Santo e demais atores que foram se juntando ao longo do projeto. O programa demonstra a capacidade e comprometimento das pessoas em mudar a realidade. Existem talentos na comunidade que são capazes de propor e executar inovações para os problemas locais”.


A programação iniciou com uma atividade dinâmica na qual os alunos estouraram balões onde havia perspectivas para o futuro escritas por eles no início do curso. Em seguida, a primeira equipe –focada em soluções para o Reuso da Água, apresentou um projeto de captação de água da chuva através de reservatório feito com pneus e a criação de uma horta aliada a ele – além de sugerirem a troca das descargas e torneiras da escola a fim de evitar o desperdício.


“A escola não possuía uma planta, então o primeiro desafio foi ensinar a leitura e execução de desenho técnico aos alunos. A partir da análise, eles encontraram problemas na estrutura do prédio como infiltração e descolamento do reboco. A questão vai muito além do sucateamento da educação, falta o cuidado com os prédios públicos onde funcionam escolas”, disse a tutora da turma, Paula Queiroz.


O Desafio Energia Solar foi a segunda turma a apresentar os trabalhos finais do curso. Os alunos construíram uma maquete da escola com materiais reciclados e fizeram um sistema fotovoltáico com pequenas placas solares – estas que acendiam pequenas luzes na maquete. “Detectamos que há muito desperdício de energia elétrica na escola, ao mesmo tempo em que há locais não iluminados, como a quadra e o estacionamento”, revelou o tutor Fred Augusto.


O grupo de Resíduos Sólidos iniciou a palestra com um vídeo impactante sobre aves que morrem por ingestão destes resíduos, descartados indevidamente. A tutora Jéssica Macêdo contou que os alunos encontraram ralos obstruídos, odor e descarte inadequado de resíduos recicláveis na escola. No curso, os alunos construíram um minhocário (composteira) e projetaram o Programa de Educação Ambiental, que objetiva formar professores, funcionários e estudantes.


O Tutor da turma de Acessibilidade, Igor Bunchaft, destacou que “o trabalho foi dar suporte para que eles desenvolvessem um projeto inovador. A primeira etapa foi a sensibilização, que para além das experiências físicas como andar com olhos vendados e com cadeira de rodas, envolveu palestras de professores da UFBA renomados no assunto.”


Igor destacou que “o OGUNTEC é muito importante na perspectiva que a proposta dá autonomia crítica e de pensamento ao estudante. A escola normalmente espera que os alunos respondam sobre determinado assunto, mas não forma o pensamento crítico.” Os alunos de Acessibilidade projetaram um aplicativo que demarca, através de mapeamento colaborativo, locais acessíveis e inacessíveis para, a partir daí, traçar o melhor caminho para as pessoas com deficiência.


Em seguida, o grupo Memória apresentou parte do documentário Fazenda Garcia – História em Movimento, produzido através da história oral do bairro que remonta desde a Bahia colonial. “A razão de ser do projeto era pensar no significado da história desse bairro. A gente não contou a história através de dados oficiais, mas através da oralidade, buscando na memória dos griôs do bairro”, explicou a tutora Carina Alves.


Conhecimento e transformação – Um dos diferenciais da Steve Biko é a integração da disciplina Cidadania e Consciência Negra (CCN) no currículo dos cursos. O estudante Fernando Durval destacou: "a disciplina ajudou a mudar a minha perspectiva e pensamento de vida. O projeto é muito interessante no sentido de dar atenção e autonomia de pensamento aos alunos. Nós não só recebemos o conteúdo, mas pensamos e refletimos sobre ele”.


A aluna do curso, Elieci Correia, disse: “obtive o conhecimento de coisas que eu nem sequer imaginava, aprendi principalmente a não desistir. Através da CCN me sinto mais forte e me reconheço como mulher negra. A disciplina me ensinou sobre os meus direitos e como ter uma visão mais crítica da sociedade”.


Já Denilson Jesus refletiu sobre as transformações na sua vida através do OGUNTEC:


“Mudou muita coisa na minha visão de um projeto de vida. Deu-me a vontade de crescer, querer mais e ser mais. O curso me incentivou e ofereceu ferramentas para expandir minhas áreas de estudos e nunca desistir. A CCN me ensinou como o negro foi impedido de caminhar, vendido como mercadoria. Mas na liberdade, o negro fazia festa. Hoje o conhecimento me traz festa para celebrar minhas vitórias”.

(Foto: Joá de Souza/A Tarde)


A representante da Dow Química, Daniela Franca, emocionou-se em diversos momentos das apresentações. “Eu vim no início do curso e agora percebo como esse projeto transformou esses jovens, eles mal falavam, de tão tímidos, e agora se apresentam como se estivessem numa universidade ou num ambiente de trabalho. Eu vi jovens que se apoderaram do conteúdo e incorporaram melhorias na escola, sempre com uma visão muito crítica do espaço público e da sociedade. A Dow trabalha apoiando projetos de educação, ciência e tecnologia através da diversidade inclusiva”.


Tarry Pereira, diretora pedagógica da Biko e professora da disciplina CCN, destacou: “a gente não está fechando, mas abrindo uma nova etapa na vida desses jovens. Sempre acreditamos na capacidade de cada um deles e eles representaram, vestiram a camisa da Biko e transformaram a visão da instituição, de uma forma tão bela, nesses projetos”.

“Eu tinha muito medo de falar na frente das pessoas, através do curso aprendi a lidar com essa limitação e a superei. Tento trazer meus irmãos para que eles tenham a mesma oportunidade que eu porque a vida é essa, e se gente não evolui, não segue adiante, a gente fica para trás. A CCN me abriu uma porta para o mundo, hoje sei como me defender da discriminação”, revelou a aluna Solange Barbosa.


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