#MestresBikudos - Ivo Ferreira, bikudo desde o início!




Ele é bikudo desde o início, lá em 1993, um ano após a criação do Instituto Steve Biko. São muitas memórias de quem já lecionou Redação, Literatura, Gramática e Cidadania e Consciência Negra - CCN! Professor Ivo Ferreira hoje ensina Redação aos mais de 30 estudantes negros e negras que hoje integram o Pré-Vestibular da Biko. Suas aulas, demonstrações da dedicação ao projeto pioneiro que este ano completa 25 anos.


"Ensinar na Biko é, antes de tudo, construir gente que foi desconstruída por um processo sócio-histórico de base escravagista/racista e, ao mesmo tempo, ser construído como ser humano - cotidianamente - por elas", diz o mestre. Isso porque para ser professor ou professora na Biko, precisa ter isso em mente: não é apenas passar um conteúdo acadêmico. É formar para a vida.


E redação é resultado destas subjetividades reconstruídas. "O texto, a linguagem textual, principalmente dissertativa, é a oportunidade de desenvolvimento do senso crítico para entender o processo de formação do Brasil e como a realidade reflete isso hoje. O fomento da discussão do papel das negras e negros na construção de nação vaza para o texto. Ou seja, não é só formatar textual idade é também impregnar a discussão dos conflitos sociais e raciais que podem tirar ou edificar qualidade de vida", explica.


E ao olhar para cada bikudo e bikuda, todas as noites, durante as aulas, é saber que o trabalho vai além da disciplina - ele ultrapassa a sala de aula. "Vejo neles a possibilidade viva de mudar a realidade de um país que nega cidadania plena a todos, principalmente às comunidades", diz Ivo.

"Nossa principal conquista como professor é contribuir para formar profissionais de diversas áreas que engrossem as fileiras na luta por uma democracia verdadeira. Que faça valer, realmente, os princípios da isonomia. Mas, principalmente, saber que hoje temos profissionais conscientes que foram nossos alunos, ou nos ajudando nessa luta na Biko ou em outras instâncias!"


E quando Ivo pensa nos 25 anos em que esteve lado a lado com a Biko, na construção, manutenção e fortalecimento de seu legado para a comunidade negra, ele é certeiro:

"O Instituto deu e tem dado uma enorme contribuição para a descolonização mental de negros e negras que transformam suas realidades e de suas comunidades. Faz o papel daquilo que Steve Biko defendeu e legou ara as novas gerações: não permitir que a mente do oprimido seja - de fato - a arma mais potente do opressor. Pelo contrário, a Biko usa a educação que transforma mundos, visando cidadania plena - mesmo com todos os obstáculos colocados por um sistema perverso de opressão desde a época colonial aos dias atuais".


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