#BikoGriots - Jucy Silva, 18 anos de dedicação bikuda!



Em 21 de julho de 1999, a história da educadora, militante, Jucy Silva começava a se fundir com a do Instituto Steve Biko. São 18 anos de dedicação ao Instituto, passando por diversas funções até ser, hoje, a Diretora Executiva da Biko. Jucy nos fala, logo abaixo em entrevista, como tudo isso começou e o significado destas duas histórias terem se encontrado lá atras. Veja..


Biko - Como começa sua história com a Biko?

Jucy Silva - O professor Chico Xapanan (in memoriam), no final de 1992, me falou da existência da Cooperativa Educacional Steve Biko. Fiquei surpresa e feliz ao saber da existência de um curso onde um grupo lutava para que outras pessoas ingressassem nas universidades com uma formação político-racial. Fiquei motivada a enfrentar o vestibular e retomar um sonho antigo de ser jornalista ou professora de inglês. No ano seguinte, ele me levou para a aula inaugural e foi um deslumbramento, fui apresentada a diversas pessoas e as falas dos integrantes da mesa nunca saíram da minha memória.


Encontrei algumas respostas para coisas que eu questionava há muito tempo, era a sensação de ter encontrado meu grupo, minha tribo. Foi em 21 de julho de 1999 que eu entrei no pré-vestibular como professora. Era uma grande responsabilidade, fui fortalecida enquanto militante, mulher negra e a Biko me preparou para entrar na educação pública, em 2000.


Biko - O que mais te marca nas memórias deste início de tudo?

Jucy Silva - O mais marcante nestas memórias, é perceber o quanto a Biko modificou as vidas das pessoas, sejam estudantes, professores, colaboradores. Acredito que todos que passam pela Biko tem uma emoção diferente para lembrar, uma história para contar. Faz jus aos ensinamentos de Bantu Steve Biko, quando ele diz que devemos juntar forças e agir como um grupo em torno de uma causa. Que por sinal é um dos pensamentos que eu faço questão de lembrar sempre. Cada momento vivido na Biko para mim é a certeza de um dever cumprido e um retorno para nossos ancestrais.


"O que mais me emociona é ver a esperança nos olhos da juventude negra, é saber que nosso trabalho, de fato, muda a vida das pessoas. Saber como Bikud@s estão fazendo diversas ações em prol da igualdade racial, de gênero, em diversos movimentos, comprometidos com outro."

Biko - Nos conte sua trajetória dentro do Instituto até a diretoria executiva...

Jucy Silva - A minha trajetória na Biko é cheia de vivências, dedicação e superação de desafios. Fui professora durante seis anos, gostava muito das aulas de CCN, participava dos eventos do Instituto e também dos eventos que a Biko indicava, o que ajudou muito na minha formação. Em 2004 aceitei o desafio de ajudar na Coordenação, logo depois fui diretora pedagógica e agora sou a segunda mulher a assumir a Diretoria Executiva, o que me deixa honrada e na responsabilidade de representar as Bikudas e Bikudos.


Biko - O que a Biko significa pra você e para a luta negra no Brasil, hoje?

Jucy Silva - O Instituto acreditou em mim e todos os dias procuro fazer com que a missão da Biko seja cumprida! A Biko é patrimônio do povo negro e merece ser zelada, cuidada e mantida através das gerações. O Instituto significa para mim um espaço de saber, onde aprendemos todos os dias a conviver com todas as diferenças, a respeitar as individualidades sem perder de vista a nossa missão. A BIko me acolheu nos momentos mais difíceis da minha vida nestes 18 anos. Cada plantão é um novo desafio. O grande legado do Instituto Steve Biko para a luta negra é a disciplina Cidadania e Consciência Negra (CCN), que contribui para a formação de pessoas para a luta antirracista, antisexista e contra a intolerância religiosa. Através dela, mudamos vidas e construímos novos sonhos.


"Temos que pensar a Biko como um.patrimônio da comunidade negra para a Humanidade e, neste sentido, cuidar e divulgar os objetivos do CCN onde quer que estejamos. Sempre haverá algo a ser feito ou melhorado para garantir a formação político-racial dos nossos e dentro da perpectiva da igualdade racial de gênero, da sexualidade e contra todas as formas de iniquidades."


Biko - Você hoje atua junto aos Quilombos Educacionais, referenciados no modelo Biko de educar. Como você vê essa atuação?

Jucy Silva - Atualmente, represento os quilombos educacionais no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra - o CDCN, através do Fórum de Quilombos, o FOQUIBA. Os quilombos educacionais cumprem a missão que a Biko iniciou. Muitos, infelizmente, foram extintos, mas deixaram grandes legados. Ainda hoje surgem outras iniciativas. Os quilombos educacionais são responsáveis por grandes conquistas, como a luta pela isenção da taxa do vestibular na UFBA. Toda vez que surge um quilombo educacional, reacendem-se os objetivos do grupo de estudantes que se reuniram na faculdade de Economia, em 1992 para fundar a Biko.


Destaque!!!
Posts Recentes
Arquivos