Bikud@s na Universidade – Nov@s universitári@s conscientes e afrocentrad@s!



A cada ano, o Ensino Superior se torna realidade para jovens negros e negras de Salvador, oriundos de escolas públicas e de baixa renda. Além da formação específica para encarar as provas dada pelo Instituto Steve Biko, os alunos tem outros aprendizados: o de se auto reconhecer enquanto negro(a), sobre as lutas e conquistas negras ao longo dos anos e, principalmente, a fortalecer sua autoestima.

Entre o segundo semestre de 2016 e os primeiro deste ano, 40 alunos do Pré-Vestibular foram aprovados – a sua grande maioria em Universidades Públicas. Eles engrossam a estatística de aprovação de mais de 1500 mil jovens ao longo dos 25 anos de existência pioneira da Biko. Nesta fila de novos universitários está Taís Nara (foto), aprovada na UFBA em Secretariado Executivo. “A Biko significou muito na minha vida, me ajudou a construir toda politização que possuo. Por conta de uma educação pública, eu não tive um ensino de qualidade comparado às escolas particulares e também não tinha condições de pagar. Com professores maravilhosos, comprometidos e competentes, agreguei um conjunto de conhecimentos que me possibilitou escolher o que quisesse”, diz. Gratidão resume tudo que Taís tem pela Biko.

“Aprendi muito com o Instituto Steve Biko, com as aulas de Cidadania e Consciência Negra, que me mostraram que com força, garra, quebrando preconceitos e, sobretudo, vencendo o racismo, chegamos onde quisermos!” – Taís Nara

Por uma Psicologia Afrocentrada

Sam Ferreira tem uma meta: “Serei um profissional diferenciado da grande maioria da área da Psicologia – engessada, que fala daqueles teóricos de sempre e dos problemas de sempre. Eu quero fazer uma psicologia para o meu povo preto e LGBTQ”. Sam foi aprovada no BI de Humanidades da UFBA e vai migrar para Psicologia.


“É sempre gratificante encontrar meus irmãos da Biko nos corredores da UFBA, aquele abraço que se dá quando vejo um amigo numa multidão do desconhecido.” – Sam Ferreira.

Com Sam, a consciência negra cidadã, adquirida junto aos colegas e professores na Biko será levada para sempre. “A Biko foi a minha casa por um ano, fiz irmãos e tive professores que eram como aqueles tios que gostamos de ouvir as histórias. Saía de Cajazeiras junto com o sol e, muitas vezes, o café da manhã foi com eles, o lanche era dividido. O acolhimento é enorme pra quem se permite viver a Biko de corpo e alma. Ajudou na construção da minha identidade e me fortaleceu para o que viria enfrentar na Universidade”, enfatiza.


Mas não apenas isso: As aulas de CCN foram essenciais para sua autoafirmação. "Lembro do CCN sempre que preciso me posicionar em sala diante a maioria esmagadora branca e elitizada. Vou levar os ensinamentos pra vida", diz.

Biko 25 Anos

Há 25 anos - celebrados neste mês de julho - o Instituto Steve Biko vem desenvolvendo projetos focados na Educação de jovens negros e negras em Salvador. Sua experiência pioneira em todo país é, hoje, referência em ação afirmativa, em especial na promoção do acesso destes jovens ao Ensino Superior. Diferente dos Pré-Vestibulares e Pré-ENEMs tradicionais, a Biko alia o ensino das disciplinas à formação da autoestima e valorização da negritude de seus estudantes.


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