#BikoGriots - Maria Durvalina Cerqueira, professora, coordenadora e eterna bikud@!


Como os griots são aqueles que, em África, preservavam e transmitiam as histórias e memórias de uma comunidade, na Biko o que não faltam são mestres que, 25 anos atrás tiveram a ousadia e a coragem de quebrar o paradigma e iniciar uma das construções mais audaciosas da Educação no país.


Em 1992, o Instituto Steve Biko lançava o primeiro degrau para ascenção da juventude negra e, hoje, já tem o marco histórico de mais de 1500 jovens nas Universidades.


Uma das pessoas que fizeram e ainda fazem parte deste legado é a militante do Movimento Negro, professora​ e pesquisadora, Maria Durvalina Cerqueira Santos, uma griot valiosa para muitos bikud@s nestes 25 anos. Em entrevista, Durvalina nos conta um pouco de sua relação com a Biko:


Biko - Como e quando a Biko entrou em sua vida?

Maria Durvalina - Minha relação com a Biko tem início em 1992, quando da formação do grupo de estudo que se constituiu no propósito de contribuir para o acesso de jovens negros e negras na Universidade. Chego para ser professora de Química Orgânica no segundo semestre e, em 1993, com o crescimento rápido da iniciativa, continuo como professora e coordenadora pedagógica. Esse é o começo da BIKO e da minha relação com ela.


“A Biko fortalece o debate, propõe e desenvolve ações no sentido da construção das identidades negras, da auto estima; valoriza, amplia e resignifica a estética negra!”


Biko – Pra você que importância a Biko teve há 25 anos atrás e hoje?

Maria Durvalina - A importância da Biko sempre foi e é combater o racismo de forma propositiva, mas marcadamente com intervenções, sobretudo o racismo institucional. Nesses 25 anos, contribuiu de forma incisiva e decisiva para que negros e negras entrassem na Universidade, públicas em sua maioria. Isso enquanto ação específica, mas - fundamentalmente - se fez e se faz importante e necessária por pautar, debater, propor, agir, e alterar a cena preta da cidade. Especialmente no campo da Educação de Salvador, da Bahia, e até do Brasil, na medida em que repercutiu nacional e internacionalmente, e inspirou outros grupos a desenvolverem ações com o mesmo propósito.


Biko – Qual o maior legado do instituto, a seu ver, nestes 25 anos?

Maria Durvalina - Apresentar resultados que evidenciam que a educação é capaz de - efetivamente - transformar vidas e pessoas, e que, sendo assim, pode transformar a sociedade, o mundo. E que é preciso persistir! Há 25 anos acalentamos o sonho de ver a Universidade Steve Biko nascer, e agora - 25 anos depois - ele vai se tornando realidade.


Biko – Como você vê o futuro da Biko?

Maria Durvalina - A minha maior expectativa sobre a Biko hoje, é a Universidade funcionando, se consolidando como espaço de referência na formação de pessoas e, principalmente, de professores e professoras engajados/as em uma pedagogia de empoderamento e de antirracismo, com um olhar cuidadoso para a formação de educadores/as da educação infantil e séries iniciais. Empoderando crianças negras, porque as não negras já estão empoderadas e empoderando-se. Preparando as crianças negras e não negras para não aceitarem, não banalizarem, não acostumarem-se com o racismo, machismo, sexismo, com a opressão, a subjugação.

"Vejo a Biko encorajando crianças negras e não negras a adotarem posturas libertas de preconceitos, de discriminação e de tantas outras situações e ações que tornam a sociedade tão desigual e desumana. Não é a ilusão de lugar perfeito, mas de um lugar possível para as diferenças!"


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